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30.3.10

A nova ordem mundial

A Nova Ordem Mundial é um conceito político e econômico que se refere ao contexto histórico do mundo pós-Guerra Fria. Estabeleceu-se no fim da década de 80, com a queda do muro de Berlim (1989), no quadro das transformações ocorridas no Leste Europeu com a desintegração do bloco soviético.

O termo Nova Ordem Mundial é aplicado de forma abrangente. Em um contexto atual, pode se referir também à importância das novas tecnologias em um mundo progressivamente globalizado e às novas formas de controle tecnológico sobre as pessoas.

A Nova Ordem Mundial busca garantir o desenvolvimento do capitalismo e estrutura-se a partir de uma hierarquização de países, de acordo com seu nível de desenvolvimento e de especialização econômica. Veja algumas das principais caraccterísticas.

Distribuição do poder internacional

Em termos militares, a bipolaridade (fato de haver dois pólos de força, que eram Estados Unidos e URSS) foi substituída pela chamada pax imperial americana, que significa que não existe país no mundo capaz de se contrapor ao poderio militar americano. A supremacia militar incontestável dos Estados Unidos é exercida de forma intensa em todas as partes do mundo onde seus interesses econômicos ou geopolíticos se fazem presentes.

Em termos econômicos e tecnológicos temos a multipolaridade, com pelo menos três grandes blocos: o primeiro, organizado em torno dos EUA; o segundo, em torno da Europa (União Européia) e um terceiro, o bloco asiático, onde se destacam o Japão, a China, a Índia e até mesmo a Rússia.

Urbanização mundial

A intensa urbanização mundial é um fenômeno típico de países não-desenvolvidos e resultante de sua industrialização e modernização recente. No ano 2000, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou que a população urbana mundial superou a população rural.

A urbanização é acelerada e irreversível em especial nos países em desenvolvimento. É geralmente caótica, o que agrava os problemas ambientais e concentra a pobreza, potencializando seus aspectos negativos.

Nova divisão do trabalho

Ao contrário do que ocorria até pouco tempo, a nova divisão internacional do trabalho (DIT) não separa apenas países exportadores de manufaturados de países exportadores de matéria-prima.

29.3.10

A mata dos cocais

A Mata dos Cocais é uma zona de transição entre as florestas úmidas da bacia Amazônica e as terras semi-áridas do Nordeste brasileiro.

Na verdade, separando as formações vegetais brasileiras, há faixas de transição que constituem unidades paisagísticas nas quais se misturam características das vegetações vizinhas, ou, ainda, áreas onde a falta de estabilidade das condições ecológicas originou uma interação entre elementos naturais bem diferentes das formações vegetais circundantes.

No caso da Mata dos Cocais, ela abrange, predominantemente, o Meio-Norte (sub-região formada pelos estados do Maranhão e do Piauí), mas distribui-se também pelos estados do Ceará, do Rio Grande do Norte e de Tocantins.

No lado oeste, que abrange o Maranhão, o oeste do Piauí e o norte de Tocantins, a região é um pouco mais úmida devido à proximidade com o clima equatorial superúmido da Amazônia, sendo mais freqüente a ocorrência de uma espécie de palmeira, o babaçu. Na área menos úmida, que abrange o leste do Piauí e os litorais do Ceará e do Rio Grande do Norte, predomina outra espécie de palmeira, a carnaúba.

A Mata dos Cocais é classificada como uma formação florestal, mas, na realidade, constitui uma formação vegetal secundária, por seu acentuado desmatamento. Desde o período colonial, a região é explorada economicamente pelo extrativismo de óleo de babaçu e a cera de carnaúba. Atualmente, porém, vem sendo desmatada pelo cultivo de grãos voltados para a exportação, com destaque para a soja.

Carnaúba

A carnaubeira (Copernicia cerifera), espécie típica do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, é uma palmeira que atinge, em média, 20 metros de altura e aparece em terrenos alagáveis ou agrupa-se nas várzeas de rios. Como tudo dessa palmeira pode ser aproveitado (tronco, folhas, fruto, palmito, raízes e as sementes), é conhecida como "árvore da providência".

O mais importante fator de renda para os extrativistas é a cera extraída das folhas, que é utilizada na fabricação de cosméticos, ceras industriais e domésticas, graxas, lubrificantes, discos, filmes fotográficos, papel carbono e outras aplicações.

De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), somente a coleta e o processamento da cera da carnaúba empregam mais de 200 mil trabalhadores dos três estados nordestinos (Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte).

Babaçu

A palmeira do babaçu (Orbyania martiana) apresenta a sua principal área de ocorrência nas faixas de transição limítrofes da floresta latifoliada equatorial. É encontrada em maior quantidade nos estados do Maranhão e do Piauí.

Achando-se na dependência de solos mais úmidos, localiza-se, na maioria das vezes, nos vales, formando grandes manchas e não formações contínuas. As matas de babaçu são identificadas sem dificuldade na paisagem.

Essa palmeira chega a atingir 20 metros de altura e dá de dois a seis cachos de coquilhos, dentro dos quais encontramos amêndoas.

Representa o babaçu uma grande e importante fonte de recursos no campo do extrativismo vegetal, em especial no Estado do Maranhão, pois o óleo extraído de suas amêndoas é muito utilizado em diversas indústrias (sabão, margarina, produtos químicos, etc.). A casca do coquilho também tem valor comercial, sendo aproveitado como biomassa na produção de energia.

Atualmente, somente no Estado do Maranhão, a extração da amêndoa existente no babaçu envolve mais de 300 mil famílias. A dificuldade até hoje encontrada de serem utilizados meios mecânicos para quebrar o coquilho (que é extremamente duro) vem, entretanto, impedindo um maior aproveitamento dessa riqueza natural.

OIT: 614,2 milhões de pessoas trabalham mais de 48 horas semanais


Brasília - Em todo o mundo, 614,2 milhões de pessoas trabalham mais de 48 horas semanais, jornada acima das 40 horas por semana adotadas em grande parte dos países. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o contingente representa 22% da força de trabalho mundial.

O gênero e a idade aparecem entre as questões relevantes para determinar a duração do trabalho. Segundo a OIT, os homens tendem a executar jornadas mais longas, porque as mulheres precisam se dedicar ainda à família e à casa. Em relação à faixa etária, os jovens e as pessoas em idade de se aposentar trabalham menos horas.

Entre os países onde os trabalhadores cumprem a maior carga horária estão o Peru (50.9%), a República da Coreia (49.5%), a Tailândia (46.7%) e o Paquistão (44.4%). O Brasil está em 13º lugar, com 19.1%.

A OIT afirma inda que tentativas de redução da jornada em alguns países têm enfrentado obstáculos porque os empregadores usam as horas extras como forma de aumentar a produtividade dos empregados, que, por sua vez, necessitam trabalhar mais horas para poder garantir melhores salários.

Para a entidade, os acordos sobre jornada de trabalho devem favorecer a saúde e a segurança no trabalho, a compatibilidade com a vida familiar, além de promover a igualdade de gênero.

Roberta Lopes - Repórter da Agência Brasil

28.3.10

Fósseis - Camadas de sedimentos guardam história

Fósseis são restos ou vestígios de animais, plantas ou outros seres vivos, preservados em rochas, sedimentos, gelo ou âmbar. Preservam-se como moldes do corpo ou de partes dele, além de rastros e pegadas. Os fósseis e sua presença em formações rochosas e camadas sedimentares são conhecidas como registro fóssil.

O grau de deterioração ou decomposição do organismo determina detalhes importantes dos fósseis. Alguns consistem apenas em restos esqueléticos ou dentes; outros contêm restos de pele, penas ou tecidos moles. O fóssil é recoberto por camadas de sedimentos, que compactam-se lentamente até se transformarem, após séculos ou milênios, em rochas.

Mesmo um pequeno trilobita (antigo artrópode marinho) tem muito a informar. Certas criaturas fossilizam-se melhor que outras - no caso dos trilobitas, sua carapaça dura facilitou a fossilização. Eram parentes remotos dos caranguejos e lagostas, e por possuírem partes duras, como as de um molusco, demoravam bastante para se dissolver. Por isso não é difícil encontrar trilobitas nas rochas, pois além de possuírem carapaças duras.

A existência dos trilobitas começou há 540 milhões de anos - início do período Cambriano (fim da era geológica paleozóica). No mar, nada de peixes, que só surgiram 130 milhões de anos depois. Era um mundo de algas, águas-vivas, larvas e esponjas.

Os trilobitas arrastavam-se no leito e escondiam-se na areia de um mar raso e arenoso. Quando um trilobita morria, geralmente tinha seu corpo coberto e enterrado pela areia. Se não fosse movido por algum tempo e ficasse a uma boa profundidade, os sedimentos iriam comprimi-lo, transformando-o em rocha e, depois, em fóssil.

Como ocorre a fossilização

Criaturas de consistência mole têm menos chances de se transformar em fósseis, pois se decompõem ou são esmagadas em sedimentos sem deixar vestígios. Existe uma pequena chance de sua impressão ser preservada. Se um fóssil durar tempo suficiente, os minerais dissolvidos, que ajudam a cimentar os sedimentos e transformá-los em rocha, podem substituí-lo por uma perfeita cópia mineral. Dessa forma muitas criaturas deixaram evidências através de imensos períodos de tempo.

O tempo e a atividade terrestre destroem fósseis o tempo todo. Assim, fósseis recentes são mais comuns do que antigos. Fósseis de organismos que vivem na água são mais comumente encontrados do que os de criaturas que vivem na terra.

A água oferece melhores condições para fossilização porque carrega sedimentos e minerais dissolvidos. São os ingredientes das rochas sedimentares, que podem ser construídas na terra, a partir das areias das dunas, por exemplo. Mas as mais comuns são formadas sob o mar, ou em lagos e rios. Não surpreende, portanto, que a maioria dos fósseis seja formada no fundo do mar. Para se encontrar fósseis marinhos em terra seca, algo deve ter acontecido para que ocorresse a elevação das rochas, a baixa das marés ou ambas.

Reconstruindo mundos perdidos

Mesmo quando os fósseis são abundantes, formar uma imagem do seu mundo não é fácil. Por exemplo, pode-se imaginar que os trilobitas eram os únicos animais no mar Cambriano. Mas não eram. Os próprios trilobitas mostram que, como carniceiros de animais menores, eles cresciam moldando sua concha. Alguns tinham olhos compostos altamente desenvolvidos na parte superior da cabeça - sabe-se, por insetos que possuem olhos semelhantes, que esta é uma característica comum de animais que precisam ser sensíveis a movimentos.

Além disso, encontraram-se trilobitas enrolados como bolas, com espinhos para fora, em posição de defesa. Ou seja, eles precisavam ver a presa e ao mesmo tempo defender-se dos predadores. Deve ter havido algum tipo de predador que os devorava. Os olhos também sugerem que eles viviam em águas rasas e bem iluminadas. Então, mesmo sem outros fósseis cambrianos, é possível reconstruir o mundo do trilobita.

Em bem poucos lugares do mundo, organismos cambrianos de corpo mole foram fossilizados junto com os trilobitas. A partir de descobertas desses fósseis de corpo mole, pôde-se ter a idéia de outras criaturas que viviam no que claramente era um oceano rico em vida, variando desde as primeiras versões de esponjas até criaturas nadadoras providas de mandíbulas poderosas.

Tempo em camadas

O tempo revela imagens surpreendentes, como as de estratos elevados, onde é possível verificar seqüências de fósseis. O tempo necessário para se construir tudo isso são milhões de anos e as rochas mais antigas estão embaixo. Freqüentemente os fósseis da parte de baixo são mais antigos do que os fósseis mais acima. Por exemplo, se os trilobitas são encontrados nas rochas mais baixas, fósseis de dinossauros só são achados nas rochas mais novas e mais altas. Os estratos revelam mudanças e evoluções na história da vida.

Combinando-se seqüências é possível montar a ordem dos fósseis. Com a expansão desse processo durante muitos anos, os arqueólogos chegaram à linha do tempo geológico. Por exemplo, à pergunta "Algum humano viu um dinossauro vivo?" a resposta é certamente não. Isso porque os fósseis humanos são encontrados em rochas no mínimo 65 milhões de anos mais novas do que os fósseis dos dinossauros.

Os cientistas tentam entender os fósseis em três níveis: recriando a criatura em si, tentando compreender seu mundo e finalmente tentando localizá-lo em termos de tempo e evolução. Os humanos também fazem parte desse quadro. Mas o que restará de nós daqui a 1 milhão de anos? Que fósseis deixaremos para trás?

27.3.10

Militantes do MST ocupam fazenda em Goianá - notícia e comentários


Militantes do Movimento dos Sem Terra (MST) estão acampados na fazenda Fortaleza de Santana, na cidade de Goianá, município vizinho de Juiz de Fora. A ocupação da propriedade ocorreu na madrugada desta quinta-feira, 25 de março, e foi organizada pelo MST Zona da Mata.

Segundo nota oficial do movimento, a cerca da fazenda foi rompida pois o terreno foi considerado improdutivo, conforme laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na manhã desta quinta-feira, 72 policiais, incluindo uma equipe de Juiz de Fora, estiveram no local para evitar qualquer tipo de transtorno.

De acordo com o assessor de comunicação organizacional da 4ª Região da Polícia Militar (PM), Sérgio Lara, cerca de 200 pessoas invadiram a propriedade. "A invasão foi pacífica e não houve qualquer tipo de confusão. Os proprietários já enviaram um advogado ao local e a PM tenta negociar a retirada dos sem terra. Uma patrulha rural, uma viatura da Companhia de Meio Ambiente e uma equipe da Polícia Rodoviária Estadual continuam na fazenda, que fica às margens da MG-353." Além de trabalhadores sem terra, estudantes universitários da cidade de Lavras e de Juiz de Fora também formavam o grupo.


De acordo com a assessoria de comunicação do Incra, a Ouvidoria Agrária Regional do órgão ainda não conseguiu contato com a liderança do movimento a fim de solucionar o problema. O Incra confirma a existência do laudo da vistoria realizada em novembro de 2009. O documento considera toda a extensão da fazenda de 4.300 hectares como improdutiva. Porém, o instituto informa que a fazenda está em processo de desapropriação. No momento, está aberta a oportunidade de defesa dada aos proprietários. O processo ainda será analisado pelo comitê do Incra, para só depois ser finalizado em decreto.

Fonte: Acessa.com

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Na enquete do blog sobre o tema 15% dos participantes avaliaram as ocupações do MST como válidas, uma forma de pressionar o governo, 61% como justas quanto se tratarem de terras improdutivas e 23% como injustas por considerarem ser uma invasão à propriedade privada.

O tema da questão fundiária gera muita discussão e polêmica por envolver vários segmentos da sociedade.

Em certa ocasião quando eu trabalhava em uma escola particular de uma pequena cidade onde estudavam muitos filhos de donos de grandes propriedades rurais eu abordei o tema mostrando todos os pontos de vista e a argumentação de todos os interessados na questão, os debates sobre este tema devem bastante democráticos.

Vivemos em um país em que a propriedade privada existe, porém, existe uma lei que regulamenta tais propriedades, esta lei diz que todas as propriedades devem ter uma função social, ou seja, as terras improdutivas podem sofrer o processo de desapropriação pelo governo.

Muitos batalharam para conquistar as suas propriedades, outros herdaram as terras como herança familiar de um passado sombrio (a partir de 1850) com a criação da lei de terras que restringiu o acesso da maioria da sociedade brasileira à propriedade e favoreceu as elites brasileiras, o que dura até a atualidade e se expressa pelos números sendo o Brasil um dos países com maior acúmulação de terras em poucas mãos.

O MST busca reverter esta injustiça histórica embasado na lei que diz que as terras devem ter uma função social e ainda na Constituição Federal que garante a todos os cidadão o direito à moradia e ao trabalho, o que no Brasil é uma grande piada já que o déficit habitacional e as taxas de desemprego são enormes.

Por outro lado, existe os grupos dentro do movimento que se aproveitam da situação, muitos que buscam se promover politicamente supostamente defendendo a reforma agrária e outros que já possuem muitas propriedades e buscam terras a fim de venderem lucrando com o movimento, as denúncias existem aos montes.

Como podemos perceber, esta questão é extremamente complexa e envolve vários interesses e fatores, portanto, devemos levá-los em consideração.

Sou a favor da reforma agrária e melhor distribuição das terras, porém, de forma ordenada e com uma maior atuação do INCRA no sentido de beneficiar apenas quem realmente necessita do seu pedaço de terra para sobreviver banindo assim a ação dos espertalhões, o que no Brasil existe aos montes o que ao meu ver se tornou algo cultural.

Luciano Costa


Principais fontes de energia na atualidade

As transformações observadas ao longo da Terceira Revolução Industrial foram seguidas de uma exigência progressiva de energia. Ademais, o crescimento econômico constatado em algumas regiões do mundo, entre o final do século 20 e início do 21, além do crescimento populacional, intensificou a busca de fontes de energia.

O aumento do número de veículos automotores em circulação, uma característica comum das sociedades em industrialização, também passou a requerer um maior volume de combustíveis fósseis, apesar de os veículos produzidos atualmente consumirem, em média, 50% menos combustível do que os modelos de décadas atrás.

Atualmente há uma diversidade de fontes de energia, classificadas em renováveis e não-renováveis. Renováveis são aquelas que continuam disponíveis depois de utilizadas, isto é, que não se esgotam. Como exemplo, temos a energia solar, a energia dos vegetais (biomassa), da correnteza dos rios (hidráulica), dos ventos (eólica), do calor interno do planeta Terra (geotérmica), das marés, entre outras.

Quanto às não-renováveis, estas são limitadas e demoram milhões de anos para se formar, isto é, se esgotarão e não serão repostas (o petróleo, o gás natural, o carvão mineral e o urânio, por exemplo).

Algumas fontes de energia podem ser produzidas pelo homem, como a lenha e o álcool, por meio da queima do bagaço da cana-de-açúcar cultivada, e nesse caso também são consideradas fontes renováveis.

Os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural) são chamados assim porque são, de fato, derivados de plantas e vegetais mortos, soterrados com os sólidos que formam as rochas sedimentares.

Eles são a principal fonte de energia utilizada no mundo hoje. Em 2002, representavam mais de 85% da matriz energética mundial, ou seja, considerando-se todas as fontes utilizadas no mundo e todos os tipos de energia, o petróleo, o carvão mineral e o gás natural eram responsáveis por 86% da energia gerada. Veja o Gráfico 1, a seguir:

Reprodução
Fonte: IEA - International Energy Agency - Key World Energy Statistics, 2004 Edition.

Neste artigo, serão analisados os principais tipos de fonte de energia utilizados hoje no planeta - petróleo, gás natural, carvão mineral, água e urânio.

Carvão mineral

O carvão é uma complexa e variada mistura de componentes orgânicos sólidos, fossilizados ao longo de milhões de anos, como ocorre com todos os combustíveis fósseis. Sua qualidade, determinada pelo conteúdo de carbono, varia de acordo com o tipo e o estágio dos componentes orgânicos.

A turfa, de baixo conteúdo carbonífero, constitui um dos primeiros estágios do carvão, com teor de carbono na ordem de 45%; o linhito apresenta um índice que varia de 60% a 75%; o carvão betuminoso (hulha), mais utilizado como combustível, contém de 75% a 85% de carbono; e o mais puro dos carvões, o antracito, apresenta um conteúdo carbonífero superior a 90%.

Da mesma forma, os depósitos variam de camadas relativamente simples e próximas da superfície do solo - e, portanto, de fácil extração e baixo custo - a complexas e profundas camadas, de difícil extração e custos elevados.

Em termos de contribuição na matriz energética mundial, segundo o Balanço Energético Nacional 2005 - dados mundiais do ano de 2002, fornecidos pelo Ministério de Minas e Energia do Brasil -, o carvão é responsável por 7,1% de todo o consumo mundial de energia e de 39,0% de toda a energia elétrica gerada.

No âmbito mundial, apesar dos graves impactos sobre o meio ambiente, o carvão é uma importante fonte de energia. As principais razões para isso são as seguintes: a) abundância das reservas; b) distribuição geográfica das reservas; c) baixos custos e estabilidade nos preços, relativamente a outros combustíveis.
Além de constituir fonte de energia, o carvão mineral é importante matéria-prima da indústria de produtos químicos orgânicos, como piche, asfalto, eletrodos para baterias, corantes, plásticos, naftalina, inseticidas, tintas, benzeno e náilon.

O Mapa 1 (abaixo) ilustra as reservas mundiais no ano de 2002. Observe que as reservas de carvão mineral do hemisfério Norte são bem maiores que as do Sul, o que se deve, basicamente, a dois fatores: no primeiro hemisfério há maior quantidade de terras emersas e ocorrência de verões mais quentes e invernos mais rigorosos, favorecendo a ação biológica.

No Brasil, as principais reservas de carvão mineral estão localizadas no Sul do país, notadamente no Estado do Rio Grande do Sul, que detém mais de 90% das reservas nacionais. No final de 2002, as reservas nacionais de carvão giravam em torno de 12 bilhões de toneladas, o que corresponde a mais de 50% das reservas sul-americanas e a 1,2% das reservas mundiais.

Reprodução
Fonte: BP Statiscal Review of World Energy. London: BP, 2003.


Petróleo

O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos (moléculas de carbono e hidrogênio) que tem origem na decomposição de matéria orgânica, principalmente o plâncton (plantas e animais microscópicos em suspensão nas águas), causada pela ação de bactérias em meios com baixo teor de oxigênio. Ao longo de milhões de anos, essa decomposição foi-se acumulando no fundo dos oceanos, mares e lagos; e, pressionada pelos movimentos da crosta terrestre, transformou-se na substância oleosa denominada petróleo. Essa substância é encontrada em bacias sedimentares específicas, formadas por camadas ou lençóis porosos de areia, arenitos ou calcários.

Embora conhecido desde os primórdios da civilização humana, somente em meados do século 19 (Segunda Revolução Industrial) tiveram início a exploração de campos e a perfuração de poços de petróleo. A partir de então, a indústria petrolífera teve grande expansão, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

Apesar da forte concorrência com o carvão e com outros combustíveis considerados nobres naquela época, o petróleo ganhou projeção no cenário internacional, especialmente após a invenção dos motores a gasolina e a óleo diesel.

Durante muitas décadas, o petróleo foi o grande propulsor da economia internacional, chegando a representar quase 50% do consumo mundial de energia primária, no início dos anos 1970. Embora declinante ao longo do tempo, sua participação nesse consumo ainda representa cerca de 43%, segundo a Agência Internacional de Energia (2004), e deverá manter-se expressiva por várias décadas.

Além de predominante no setor de transportes, o petróleo ainda é o principal responsável pela geração de energia elétrica em diversos países do mundo. Apesar da expansão recente da hidroeletricidade e da diversificação das fontes de geração de energia elétrica verificadas nas últimas décadas, o petróleo ainda é responsável por aproximadamente 7,2% de toda a eletricidade gerada no mundo.

Durante muitos séculos, o homem procurou abrigo e instalação de suas atividades cotidianas em locais próximos de recursos naturais, particularmente energéticos. Com a descoberta dos combustíveis fósseis e da eletricidade, isso deixou de ser uma preocupação, de modo que, atualmente, os grandes centros consumidores podem estar distantes das grandes reservas e dos potenciais energéticos. O caso do petróleo ilustra bem essa tendência do mundo moderno.

Como indicado no Mapa 2 (abaixo), há uma grande irregularidade na distribuição geográfica das reservas mundiais de petróleo, em razão das condições geológicas específicas das regiões detentoras. Cerca de 2/3 das reservas provadas estão localizados no Oriente Médio, que responde por cerca de, aproximadamente, 6% do consumo mundial. Por outro lado, a América do Norte, que possui apenas 4,8% das reservas, é responsável por cerca de 30% do consumo mundial.

Reprodução
Fonte: BP Statiscal Review of World Energy. London: BP, 2003.


Gás natural

Combustível fóssil encontrado em estruturas geológicas sedimentares, o gás natural está associado ao petróleo e, portanto, é esgotável e não-renovável. É utilizado em maçaricos, motores a explosão, altos-fornos, fogões, etc. e sua queima libera uma boa quantidade de energia, cada vez mais utilizada nos transportes, na termeletricidade e na produção industrial.

Segundo a Agência Internacional de Energia (2004), a participação do gás natural no consumo mundial de energia é, atualmente, da ordem de 16,2%, sendo responsável por cerca de 19,1% de toda a eletricidade gerada no mundo.

No Brasil, as reservas provadas são da ordem de 230 bilhões de m3, dos quais 48% estão localizados no Estado do Rio de Janeiro, 20% no Amazonas, 9,6% na Bahia e 8% no Rio Grande do Norte. A produção é concentrada no Rio de Janeiro (44%), no Amazonas (18%) e na Bahia (13%). A participação do gás natural na matriz energética brasileira ainda é pouco expressiva, da ordem de 5,6% do consumo final.

Outras características importantes do gás natural são os baixos índices de emissão de poluentes em comparação a outros combustíveis fósseis - como o carvão mineral e o petróleo -, rápida dispersão em caso de vazamentos, baixos índices de odor e de contaminantes.

Ainda em relação a outros combustíveis fósseis, o gás natural apresenta maior flexibilidade, tanto em termos de transporte (facilmente transportado em condutos) como de aproveitamento.

Assim como ocorre com o petróleo e o carvão mineral, as principais reservas estão no hemisfério Norte, conforme podemos observar no Mapa 3:

Reprodução
Fonte: BP Statiscal Review of World Energy. London: BP, 2003.


Energia elétrica

A eletricidade pode ser obtida pela força da água (hidráulica), pelo vapor da queima de combustíveis fósseis (termelétricas) e pelo calor produzido pela fissão do urânio no núcleo de um reator.

Temos, portanto, três tipos de usinas que geram eletricidade: as usinas hidrelétricas, as termelétricas e as termonucleares ou atômicas. Em qualquer dessas usinas, a energia elétrica é produzida numa turbina, que consiste, principalmente, num conjunto cilíndrico de ferro que gira em torno de seu eixo, no interior de um receptor imantado. Na turbina, portanto, a energia de movimento (cinética) é transformada em energia elétrica.

  • As hidrelétricas:
    A geração de energia hidrelétrica é realizada em barragens, dentro das quais se encontram geradores, cujas hélices são movidas pela água que escoa sob forte pressão. A eletricidade produzida pelos geradores é transmitida por cabos até os centros consumidores.

    Ao contrário das demais fontes renováveis, a hidrelétrica representa uma parcela significativa da matriz energética mundial e possui tecnologias de aproveitamento devidamente consolidadas. Atualmente, é a principal fonte geradora de energia elétrica para diversos países e representa cerca de 17% de toda a eletricidade gerada no mundo.

    A produção da energia elétrica não é poluente, mas a construção de usinas pode causar profundos impactos sociais e ambientais na região. Como exemplo, temos a inundação de grandes áreas, o deslocamento de comunidades ribeirinhas, a mudança de curso de rios, etc.

  • As termelétricas:
    A geração de energia elétrica pelas termelétricas é realizada com maiores custos e com maior impacto ambiental, porém, a construção de uma usina desse tipo necessita de investimentos menores que a de uma hidrelétrica.

    Se, na usina hidrelétrica, as águas dos rios movimentam as turbinas, na termelétrica quem faz esse papel é a pressão do vapor de água produzido por uma caldeira aquecida pela queima de carvão mineral, gás ou petróleo.

    Uma das vantagens em relação à hidroeletricidade é que a localização da usina é determinada pelo mercado consumidor e não pelo relevo, o que possibilita sua construção em áreas próximas onde há demanda, resultando em despesas inferiores na transmissão da energia elétrica produzida.

    Energia nuclear

    A energia nuclear é proveniente da fissão de átomos de urânio em um reator nuclear. Apesar da complexidade de uma usina nuclear, seu princípio de funcionamento é similar ao de uma termelétrica convencional, onde o calor gerado pela queima de um combustível produz vapor que aciona uma turbina, acoplada a um gerador de corrente elétrica.

    As crises internacionais do petróleo, na década de 1970, e a crise energética subsequente levaram à busca de fontes alternativas de geração de eletricidade. Nesse contexto, a energia nuclear passou a ser vista como a alternativa mais promissora, recebendo a atenção de muitos analistas e empreendedores, assim como vultosos investimentos. Em pouco mais de duas décadas, passou de uma participação desprezível (0,1%) para 17% da produção mundial de energia elétrica, ocupando assim o terceiro lugar entre as fontes de geração.

    Contudo, o futuro da energia nuclear não parece favorável, em razão dos problemas de segurança (risco de um vazamento nuclear) e dos altos custos de disposição dos rejeitos nucleares (lixo atômico). Com exceção de poucos países, dentre os quais a França e o Japão, a opinião pública internacional tem sido sistematicamente contrária à geração termonuclear de energia elétrica.

    Bibliografia

  • Atlas de energia elétrica do Brasil. Agência Nacional de Energia Elétrica - Brasília: ANELL, 2002.
  • Balanço Energético Nacional 2005: Ano base 2004. Ministério de Minas e Energia - Brasil. Empresa de Pesquisa Energética - Rio de Janeiro: EPE, 2005.

  • Fonte: UOL Educação

    26.3.10

    Caatinga - o ecossistema do sertão nordestino

    A caatinga é um ecossistema único, encontrado no sertão nordestino. É formada por árvores de pequeno porte e espaçadas. Essas plantas são chamadas de xerófilas (palavra de origem grega "xero", seco e "philo", amigo).

    São adaptadas às condições do clima semi-árido, que predomina no sertão nordestino e apresenta médias de temperatura acima dos 25ºC. Chove muito pouco, de forma irregular, em geral nos meses de verão.

    A palavra caatinga, é indígena, de origem tupi, e quer dizer "mata branca", "mata rala" ou "mata espinhenta". Recebeu esse nome dos índios que habitavam a região porque durante o período de seca a vegetação fica esbranquiçada, quase sem folhas.



    Reprodução
    Vegetação da caatinga no traço do artista brasileiro Percy Lau


    Plantas que dão água

    As árvores que caracterizam a caatinga possuem folhas pequenas, cobertas com um tipo de cera. Muitas dessas plantas apresentam espinhos. Suas raízes são profundas, para que elas encontrem na terra a umidade necessária para viver. Plantas típicas dessa vegetação são o cacto, a palma, o xiquexique, o mandacaru, a aroeira, o umbuzeiro, o juazeiro e o caroá.

    Muitas das plantas da caatinga têm capacidade de reter água no caule e nas folhas, o que acaba servindo para matar a sede de pessoas e animais quando a seca se prolonga muito.

    A caatinga não é encontrada em todo o sertão. Existem áreas em que a umidade é maior ou as chuvas são mais regulares. Esses locais, chamados brejos, possuem uma vegetação mais diversificada e estão localizadas normalmente no sopé de serras e chapadas, onde chove mais.

    A área da caatinga era menor do que hoje em dia. Havia florestas de transição que foram devastadas. Como a região semi-árida apresenta solos frágeis, arenosos e salgados, a recomposição das matas não foi possível. Sobreviveram apenas as espécies mais resistentes a essas condições.

    Por que não chove no Nordeste?

    A caatinga está incluída numa região que sofre constantemente com secas. Estas chegam a durar anos, existem áreas do sertão que já ficaram sem chuva por mais de três anos.

    Essa porção territorial é conhecida como Polígono das Secas. A falta de chuvas é explicada pela perda de umidade das massas de ar que entram pelo sul. Os ventos também chegam quase sempre secos. Isso acontece porque eles perdem a umidade na porção leste do planalto da Borborema. Mais: isso explica a falta de chuvas significativas nessa área.

    Quem vive na caatinga

    A sobrevivência do ser humano na caatinga não é impossível: é o semi-árido mais ocupado do mundo. Mas é bastante difícil, por causa das secas prolongadas.

    Os animais típicos dessa área são os mocós, gatos-maracajás, o calango, a cascavel, o carcará e a asa-branca.

    Pérolas - parte 3

    Pergunta: É possível chegarmos ao centro da Terra?

    Respostas: - Não, porque é muito longe.
    - Sim, perfurando por muitos anos sem parar.
    - Sim, através do diamante porque ele é forte e resiste ao fogo.

    __________________________

    Pergunta: O que são e qual a utilidade dos sismógrafos?

    Respostas: - Aparelho que capta apressão e o calor do interior da Terra.
    - São abalos sísmicos.

    __________________________

    Pergunta: Qual o maior agente transformador da natureza?

    Respostas: - O agricultor.
    - O transformador.

    ________________________

    Pergunta: Explique a relação existente entre o vulcanismo, os abalos sísmicos e o "círculo de fogo".

    Resposta: A relação é que os três juntos provocariam um enorme terremoto e isso ocorre nas beiradas das placas.

    ________________________

    Pergunta: Faça o desenho da estrutura da Terra (crosta, manto e núcleo) conforme o que você tem no caderno.

    Resposta: O aluno fez o desenho de uma Terra quadrada... rs

    O que é uma escola?

    “Escola é…

    O lugar onde se faz amigos.

    Não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos…

    Escola é, sobretudo, gente,

    gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima.

    O Diretor é gente,

    o Coordenador é gente, o Professor é gente, o Aluno é gente, cada Funcionário é gente.

    E a Escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão.

    Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”.

    Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém,

    nada de ser como o tijolo, que forma a parede indiferente, frio, só.

    Importante na Escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se “amarrar nela”!

    Ora, é lógico…

    Numa Escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se,

    ser feliz.”

    Paulo Freire

    25.3.10

    Ligado em você

    Quando o dia amanhece, estou ligado em você
    Todo dia anoitece, estou ligado em você
    É o meu maior prazer 24 horas ter
    Neste coração você
    Este é meu prazer!

    Caso eu não ligue, estou ligado em você
    Caso eu não apareça, estou ligado em você
    Não chora, se liga
    Coração, amor, emoção, ligação
    Estou ligado em você, este é o meu prazer!

    Se a noite está fria, estou ligado em você
    Se os dias são bons estou ligado em você
    Mas se são ruis, estou ligado em você
    Pois quando vejo ou penso em nós
    No fututo que nos espera, volta a alegria

    Se acontecem os tropeços, estou ligado em você
    Se as brigas atormentam, estou ligado em você
    Depois da enchente um lindo sol
    Distante ou perto, sempre ao seu lado
    Sempre ligado, no amor que é perfeito.

    Luciano Costa

    Ciência, religião e o Haiti

    É impossível encontrar palavras para descrever a tragédia no Haiti. De longe, lemos depoimentos e jornais. Assistimos às notícias na TV, chocados em ver uma população inteira em profunda agonia, num estado de total fragilidade e de caos. Crianças perdidas de seus pais (ou órfãs) e milhares de pessoas morrendo de fome e sede.
    Gangues de jovens -mais de 50% da população tem menos de 18 anos- atacando aqueles que tem algo para comer ou tentando roubar tudo o que podem. Nenhuma água, gasolina ou qualquer forma de comunicação. A vida forçada a parar por completo, um apocalipse real, provocado por forças muito além do nosso controle.

    Mesmo que a ciência possa explicar as causas dos terremotos e das erupções vulcânicas, permanece incapaz de prever quando irão ocorrer. Saber a localização das falhas geológicas onde os terremotos ocorrem claramente não é suficiente. Modelos e explicações permanecem especulativos. Por exemplo, existe uma proposta que terremotos tendam a ocorrer quando há um aumento na força das marés, como em torno da época de um eclipse. De fato, um eclipse anular ocorreu três dias após o terremoto do Haiti. Infelizmente, previsões dessa natureza raramente são precisas o suficiente para salvar vidas.

    A Terra é um planeta ativo, borbulhando em suas entranhas, com uma crosta formada de placas que tendem a mudar de posição em busca de um maior equilíbrio quando a pressão subterrânea aumenta. Obviamente, fazem isso sem dar a menor importância para a destruição que causam. Cataclismos naturais, como o do Haiti ou o tsunami de 2004 no oceano Índico, que causou em torno de 230 mil mortes, expõe a crua realidade da vida na Terra: precisamos da natureza, mas a natureza não precisa de nós. No nosso desespero, e sem poder prever quando cataclismos dessa natureza irão ocorrer, atribuímos tais eventos a "atos divinos". Nisso, não somos muito diferentes de nossos antepassados, que associavam divindades a quase todos os aspectos e fenômenos do mundo natural.

    Talvez a transição do panteísmo ao monoteísmo, sobretudo no ocidente, tenha removido Deus do contato mais direto com os homens, relegando-o a uma presença etérea, distante da realidade do dia-a-dia. Mas muitos continuam atribuindo o que não entendem a "atos divinos", seguindo a receita tradicional do "deus das lacunas": a fé começa onde a ciência termina.

    Talvez faça mais sentido associar esses cataclismos a uma indiferença divina. É horripilante testemunhar a crueldade -e até mesmo a estupidez- de certos homens de fé nesses momentos difíceis. Um exemplo é do pastor evangélico americano Pat Robertson, que recentemente atribuiu o terremoto a uma punição divina contra o povo haitiano, que supostamente assinara um pacto com o diabo para conseguir obter sua independência dos franceses. Nossos antepassados nas cavernas teriam concordado.

    Dentro do contexto desta coluna, a tragédia provocada pelo tremor no Haiti nos ensina ao menos duas coisas. Primeiro, que a ciência tem limites, e que existe muito sobre o mundo que ainda não sabemos. Porém, não é por isso que devemos atribuir o que não sabemos explicar a atos sobrenaturais. Nossa ignorância deve abrir caminho ao conhecimento e não à superstição. Segundo, aprendemos que a vida -e aqui estamos nos incluindo- é extremamente frágil e deve ser protegida a todo custo. Nosso planeta, apesar de demonstrar fúria ocasionalmente, é nossa única morada viável. Devemos tratá-lo com o respeito que merece.

    Texto de Marcelo Gleiser publicado na Folha de São Paulo.

    24.3.10

    Município - a unidade político-administrativa onde vivemos

    Você já ouviu diversas vezes a expressão três poderes, que se referem ao Executivo, Legislativo e Judiciário. No entanto, a imensa maioria das unidades político-administrativas brasileiras só possui dois poderes. A unidade em questão é, evidentemente, o município, a menor esferas administrativas da República Federativa do Brasil, e das unidades federativas que a compõem, os Estados.

    O Brasil de hoje possui 26 Estados, um Distrito federal e 5.560 municípios. Mas não é só numericamente que o município merece destaque. Ele é exatamente aquele local do território nacional onde ocorre a maior parte de nossa vida cotidiana, ele é a nossa circunstância básica, o nosso entorno.

    Além disso, há municípios como os de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, cujos orçamentos equivalem ou superam os de algumas Unidades Federativas. No caso de São Paulo, por exemplo, o município tem o terceiro maior orçamento do país, abaixo da própria União e do Estado de que é a capital.

    Portanto, é curioso que, ao se tratar de política, em geral, muita gente esteja mais atenta às questões nacionais, do que às municipais. Isso ocorre, especialmente, nas capitais estaduais e nas grandes cidades, onde boa parte da população, muitas vezes, mal conhece o nome de seu prefeito ou sabe quantos vereadores integram a sua Câmara Municipal.

    Cidade e município

    Mas vamos por partes. Primeiro, é importante esclarecer ainda mais o que é município. Em geral, usamos o termo como sinônimo de cidade, mas essa sinonímia não é precisa. O município compreende uma cidade, que é a sua sede, mas inclui também suas vizinhanças rurais.

    Nesse caso, para deixar as coisas mais claras, uma imagem vale mais do que mil palavras: no mapa abaixo, de parte do sudeste do Estado de São Paulo, os pontos negros correspondem às cidades sedes, enquanto as áreas limitadas pelas linhas brancas constituem a região municipal.


    IBGE


    Pois bem, o município possui apenas dois poderes: o Executivo (prefeitura) e Legislativo (Câmara de Vereadores). Evidentemente, não deixa de haver Justiça no município, mas o poder Judiciário está a cargo do Estado ou da Federação.

    Legislação municipal

    Portanto, embora as questões judiciais não sejam resolvidas por um poder próprio, o município dispõe de leis próprias, que vigoram em seu território e que são feitas de acordo com necessidades específicas.

    Uma lei que regulamente o trânsito de caminhões no centro da cidade em determinados horários é fundamental nos grandes centros urbanos, mas, na maioria das vezes, é desnecessário em cidades pequenas ou médias.

    No século 19, em São Paulo, hoje o maior município do Brasil (com cerca de 1.500 Km2), houve necessidade de se proibir o trânsito de carros de boi na Praça da Sé, o marco zero da cidade. Atualmente, a simples idéia de um carro de boi transitar por ali não faz sentido.

    Lei Orgânica

    O importante é destacar que o município se rege por suas próprias leis nos assuntos da essência de sua vida cotidiana. E, em matérias de lei, ele também tem uma espécie de Constituição, chamada de Lei Orgânica. Todo município tem a sua e é útil ao cidadão conhecê-la, ao menos em linhas gerais. Que tal você procurar se informar sobre a Lei Orgânica do município onde você vive?

    De qualquer modo, para dar uma idéia de como se constituem as leis orgânicas municipais, convém lembrar que - sem contrariar a Constituição Federal e Estadual - ela estabelece normas quanto ao funcionamento da Câmara Municipal, às atribuições e responsabilidades do prefeito, aos vencimentos dos servidores municipais, aos tributos municipais, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ISS (Imposto sobre Serviços).

    Nas cidades com mais de 20 mil habitantes, existe uma outra lei fundamental, o Plano Diretor, que é, nas palavras do jurista Walter Ceneviva, "a alma, o espírito e a força da estruturação urbana". Em termos menos metafóricos, o plano diretor é o instrumento básico da política de desenvolvimento do município.

    Sua principal finalidade é orientar a atuação do poder público e da iniciativa privada na construção dos espaços urbano e rural, na oferta dos serviços públicos essenciais, visando assegurar melhores condições de vida para a população. Seu município tem um plano diretor? Que tal conhecê-lo?

    23.3.10

    A mata dos cocais

    A Mata dos Cocais é uma zona de transição entre as florestas úmidas da bacia Amazônica e as terras semi-áridas do Nordeste brasileiro.

    Na verdade, separando as formações vegetais brasileiras, há faixas de transição que constituem unidades paisagísticas nas quais se misturam características das vegetações vizinhas, ou, ainda, áreas onde a falta de estabilidade das condições ecológicas originou uma interação entre elementos naturais bem diferentes das formações vegetais circundantes.

    No caso da Mata dos Cocais, ela abrange, predominantemente, o Meio-Norte (sub-região formada pelos estados do Maranhão e do Piauí), mas distribui-se também pelos estados do Ceará, do Rio Grande do Norte e de Tocantins.

    No lado oeste, que abrange o Maranhão, o oeste do Piauí e o norte de Tocantins, a região é um pouco mais úmida devido à proximidade com o clima equatorial superúmido da Amazônia, sendo mais freqüente a ocorrência de uma espécie de palmeira, o babaçu. Na área menos úmida, que abrange o leste do Piauí e os litorais do Ceará e do Rio Grande do Norte, predomina outra espécie de palmeira, a carnaúba.

    A Mata dos Cocais é classificada como uma formação florestal, mas, na realidade, constitui uma formação vegetal secundária, por seu acentuado desmatamento. Desde o período colonial, a região é explorada economicamente pelo extrativismo de óleo de babaçu e a cera de carnaúba. Atualmente, porém, vem sendo desmatada pelo cultivo de grãos voltados para a exportação, com destaque para a soja.

    Carnaúba

    A carnaubeira (Copernicia cerifera), espécie típica do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, é uma palmeira que atinge, em média, 20 metros de altura e aparece em terrenos alagáveis ou agrupa-se nas várzeas de rios. Como tudo dessa palmeira pode ser aproveitado (tronco, folhas, fruto, palmito, raízes e as sementes), é conhecida como "árvore da providência".

    O mais importante fator de renda para os extrativistas é a cera extraída das folhas, que é utilizada na fabricação de cosméticos, ceras industriais e domésticas, graxas, lubrificantes, discos, filmes fotográficos, papel carbono e outras aplicações.

    De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), somente a coleta e o processamento da cera da carnaúba empregam mais de 200 mil trabalhadores dos três estados nordestinos (Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte).

    Babaçu

    A palmeira do babaçu (Orbyania martiana) apresenta a sua principal área de ocorrência nas faixas de transição limítrofes da floresta latifoliada equatorial. É encontrada em maior quantidade nos estados do Maranhão e do Piauí.

    Achando-se na dependência de solos mais úmidos, localiza-se, na maioria das vezes, nos vales, formando grandes manchas e não formações contínuas. As matas de babaçu são identificadas sem dificuldade na paisagem.

    Essa palmeira chega a atingir 20 metros de altura e dá de dois a seis cachos de coquilhos, dentro dos quais encontramos amêndoas.

    Representa o babaçu uma grande e importante fonte de recursos no campo do extrativismo vegetal, em especial no Estado do Maranhão, pois o óleo extraído de suas amêndoas é muito utilizado em diversas indústrias (sabão, margarina, produtos químicos, etc.). A casca do coquilho também tem valor comercial, sendo aproveitado como biomassa na produção de energia.

    Atualmente, somente no Estado do Maranhão, a extração da amêndoa existente no babaçu envolve mais de 300 mil famílias. A dificuldade até hoje encontrada de serem utilizados meios mecânicos para quebrar o coquilho (que é extremamente duro) vem, entretanto, impedindo um maior aproveitamento dessa riqueza natural.

    Notas...


    Paciente faz quebradeira na Regional Leste

    Um paciente de 22 anos se revoltou por ter que aguardar para ser atendido na Unidade Regional Leste, no Bairro Costa Carvalho, e quebrou medicamentos e móveis da sala de urgência, na manhã de ontem. O fato causou pânico e intimidação entre funcionários e usuários do centro médico, além de prejuízo material estimado em mais de R$ 6 mil, segundo a assessoria da Secretaria de Saúde. O rapaz foi contido por guardas municipais até a chegada da PM e levado para a 7ª Delegacia Regional. Ele prestou depoimento e foi liberado mediante assinatura de termo circunstanciado de ocorrência (TCO).

    Segundo a chefe de departamento da Regional Leste, Simone Mathiasi de Oliveira, o problema ocorreu quando o jovem começou a ser consultado. “Ele foi avaliado pelo médico, que constatou que seu caso não era urgente e pediu que aguardasse na sala de espera, já que havia outros pacientes mais graves aguardando há mais tempo.” De acordo com trabalhadores da unidade, ele teria pego um suporte de soro de ferro e batido em diversos móveis. “Ele se descontrolou, e todo mundo entrou em pânico, porque a sala estava cheia, e ele quase atingiu os pacientes”, conta um enfermeiro.

    Conforme Simone, havia cerca de 20 pessoas no local, e alguns funcionários saíram pela janela com medo. Quatro pacientes estavam nas macas. Um idoso de 74 anos diz que escapou por pouco. “Ele pegou o suporte e nem olhou onde estava batendo.” Além de quebrar os vidros das portas e bater em bancadas e paredes, o jovem derrubou um suporte de medicação intravenosa, destruindo diversos vidros de medicamentos.

    Simone diz que ontem a unidade funcionou com quadro completo de médicos - quatro clínicos e dois pediatras. Segundo a Secretaria de Saúde, 70% das pessoas que recorrem à Regional Leste poderiam ser atendidas nas unidades de atenção primária à saúde (UAPs) e, muitas vezes, procuram o centro de urgência devido ao fácil acesso.

    Fonte: Tribuna de Minas

    ____________________

    Quais "frequentadores" da regional leste nunca teve vontade de fazer o mesmo que atirem a primeira pedra!

    A saúde pública é um problema muito grave não só em JF mas em todo o Brasil, acredito que muitos leitores de vários lugares do país também passam pela mesma situação.

    Certa vez, com a regional leste completamente vazia e somente eu como paciente (na madrugada) tive que ficar aproximadamente uma hora esperando para ser atendido e ainda por cima a "dra" ainda chegou com aquela cara de quem não estava nem um pouco a fim de atender açguém naquele horário.

    Era um simples problema e queriam me aplicar um recipiente enorme de soro e algumas injeções, sem nem mesmo me examinarem com cautela.

    Não sou médico, mas neguei o "tratamento" indicado por aquele açougue e fui embora daquele lugar que mais parece um filme de terror.

    No outro dia a primeira coisa que fiz foi procurar um convênio particular para consultas, sei que muitos não podem fazer o mesmo e agem em protesto até mesmo quebrando o que vêem pela frente, esta cena é comum naquele lugar mas não noticiam tudo.

    E depois ainda passam propagandas na TV desta gestão mostrando alguns asfaltamentos nas ruas e que fará de Juiz de Fora um grande canteiro de obras com pontes, ruas, etc. sendo que nem mesmo as necessidades básicas da população que são as suas prioridades são atendidas com qualidade, falo da saúde e da educação, isso sem citar os milhares de buracos nas ruas de JF que nos obrigam a gastar algum dinheiro em consertos dos automóveis.

    Eleitores, muito cuidado com obras eleitoreiras e pensem na qualidade de vida que almejamos ao votarmos.

    Luciano Costa


    21.3.10

    Os "monstros" da alma na sociedade moderna.


    Imagine uma sociedade em que as pessoas se preocupassem principalmente com o viver, em colher o que a natureza oferece, em criar, plantar e pescar o que necessita para a vida, em que as pessoas vissem traços seu deus em todas as coisas e o cultuassem em agradecimento por tudo o que existe e assim pudessem viver sem as grandes inquietações dos dias atuais.

    Um dia a maioria das sociedades já viveu desta forma.

    Em certos aspectos, podemos perceber que o que chamamos de "evolução histórica" não passa de uma involução com aparência de evolução.

    Ora, se o "progresso" não traz o nosso próprio bem estar como podemos estar então evoluindo?

    A passagem do mundo das sociedades naturais para as sociedades modernas trouxe consigo grandes "monstros" que nos atormentam o tempo todo.

    A pressão é enorme, desde a infância até a fase adulta, são escolhas e mais escolhas, pressões e mais pressões. Trabalho, família, escolha do que estudar, preocupações com o futuro, medo de ficar sozinho e perder os familiares, medo de andar pelas ruas, busca desenfreada por seguir os padrões de comportamento que a mídia nos "impõe", tentativas de estar enquadrado na moral do mundo de hoje, etc.

    Toda esta involução humana pode até ter trazido alguns avanços tecnológicos que facilitam a nossa vida, porém, tem criado e amamentado os nossos monstros de todos os dias.

    Não é em vão que hoje temos em alta os trabalhos de psicólogos e psiquiatras, aqueles que tentam colocar através de terapias os panos quentes necessários para as chagas abertas pelo atual sistema-mundo.

    Percebemos facilmente uma geração de neuróticos e psicóticos, o que tende a aumentar com o tempo, depressões, síndrome do pânico e até mesmo muitos surtados são fruto deste modo de vida que a sociedade moderna assumiu.

    Não cultuamos a vida como em tempos passados e achamos todas as coisas sem graça. Na era da informação tudo perde o seu valor rapidamente, o que inclui também as pessoas, o que causa a grande relativização dos relacionamentos sejam de amizade, amorosas, familiares, entre outras. No trabalho já não ha colaboração mas a concorrência e os ciúmes.

    O que fazer para mudar estas coisas? Nada possui uma receita pronta como um bolo, cada caso é um caso, porém, o que eu percebo é que muitos necessitam viver em paz e para isso é necessário se libertar das complexidades da vida.

    Uma vida que assume responsabilidades e busca antes de mais nada agir conforme a sua própria consciência, fazendo o que gosta e tem estas coisas como sadias é um princípio que muitos precisam assumir.

    Desta forma o "deixa a vida me levar" é uma grande sabedoria, a simplicidade de não levar tão a séria a complexa vida que a sociedade moderna nos impõe é outro grande princípio.

    A vida só tem sentido se for bem vivida. Sem isso procuraremos em vão o sentido da vida por uma única via, muitos procuram as religiões, e se frustram da mesma forma, já que a existência emana vida e tudo pode ser vida ou morte, depende de como vivemos.

    Este texto é uma espécie de testemunho pessoal visto que pude experimentar tal simplicidade.

    Luciano Costa

    O sermão da montanha - versão para educadores.

    Recebi por e-mail e resolvi postar.

    O Sermão da montanha (versão para educadores)

    Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.

    Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.

    Tomando a palavra, disse-lhes:

    -“Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

    Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

    Felizes os misericordiosos, porque eles...”

    Pedro o interrompeu:
    - Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

    André perguntou:
    - É pra copiar no caderno?

    Filipe lamentou-se:
    - Esqueci meu papiro!

    Bartolomeu quis saber:
    - Vai cair na prova?

    João levantou a mão:
    - Posso ir ao banheiro?

    Judas Iscariotes resmungou:

    - O que é que a gente vai ganhar com isso?

    Judas Tadeu defendeu-se:
    - Foi o outro Judas que perguntou!

    Tomé questionou:
    - Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

    Tiago Maior indagou:
    - Vai valer nota?

    Tiago Menor reclamou:
    - Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

    Simão Zelote gritou, nervoso:
    - Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

    Mateus queixou-se:
    - Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

    Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:

    - Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos?
    Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

    Caifás emendou:
    - Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

    Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
    - Quero ver as avaliações da Provinha Brasil, da Prova Brasil e demais testes e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.

    E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor efetivo...

    Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu. Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria...

    Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor... Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou:
    -“Felizes vocês, se forem desrespeitados e perseguidos, se disserem mentiras contra vocês por causa da Educação. Fiquem alegres e contentes, porque será grande a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram outros educadores que vieram antes de vocês”.

    Tomé, sempre resmungão, reclamou:
    - Mas só no céu, Senhor?

    - Tem razão, Tomé - disse Jesus - há quem queira transformar minhas palavras em conformismo e alienação.. Eu lhes digo, NÃO! Não se acomodem.

    Não fiquem esperando, de braços cruzados, uma recompensa do além. É preciso construir o paraíso aqui e agora, para merecer o que vem depois...

    E Jesus concluiu:
    - Vocês, meus queridos educadores, são o sal da terra e a luz do mundo...

    Texto de abertura do Programa Rádio Vivo — Rádio Itatiaia, Belo Horizonte — de 15/10/2009, texto do professor Eduardo Machado.

    20.3.10

    Jogo - Monte o mapa das Américas

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    Vandalismo e prejuizos

    Os atos de vandalismo resultam em grandes prejuízos e provocam transtornos na vida de grande parte da população. Vejamos, a seguir, alguns exemplos:

    São Paulo

    No Estado de São Paulo, 25% dos orelhões são danificados todos os meses. A empresa responsável afirma que se não houvesse a manutenção dos 250 mil telefones públicos instalados em todo o estado, em apenas quatro meses não haveria um único aparelho em condições de uso.

    No caso das escolas, estima-se que 65% das existentes no Estado de São Paulo sofrem depredações. Apesar de esses atos de vandalismo serem recorrentes, não há registro de quanto se gasta na reposição de mobiliário e vidros de janelas, ou para se repintar muros pichados.

    Ainda em São Paulo, a prefeitura da capital gasta R$ 600 mil todos os meses com a manutenção de abrigos de ônibus. Nos terminais urbanos, mais R$ 750 mil são desembolsados por mês para repor bens vandalizados. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) contabilizou, no primeiro semestre de 2009, 1.249 casos de vandalismo contra suas composições.

    Todos os meses, 150 quilômetros de cabos usados na iluminação pública da capital paulista são furtados, além das 300 lâmpadas que precisam ser substituídas. Outro perigo é representado pelo roubo de tampas de bueiros, o que pode causar graves acidentes: todos os meses desaparecem 500 dessas tampas de metal, com valor de R$ 200 cada uma. Além disso, 400 placas de sinalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) somem a cada mês e cerca de 500 metros de cabos de semáforos têm de ser recolocados a cada 30 dias.

    Há também o problema da pichação. De 2006 a 2009, a prefeitura pintou 6,7 milhões de metros quadrados de muros na cidade de São Paulo - o gasto mensal de cada uma das 31 subprefeituras para recobrir pichações é de R$ 15 mil.

    Rio de Janeiro e Curitiba

    O vandalismo ataca também o patrimônio público. Exemplo disso ocorre no Rio de Janeiro, cidade que tem o maior número de monumentos: 694. A prefeitura gasta, anualmente, R$ 700 mil para limpar as pichações que são feitas em bustos, estátuas e esculturas; e outros R$ 200 mil para repor placas ou partes de obras.

    Na cidade de Curitiba, no primeiro semestre de 2009 foram riscadas 11.285 janelas de ônibus. A reposição de todas custaria cerca de R$ 2,6 milhões. Nas estações tubo, símbolo urbanístico da cidade, o vandalismo representou, no primeiro semestre de 2009, um prejuízo aproximado de R$ 115 mil; em 2008, a conta foi de R$ 350 mil para repor vidros, catracas, elevadores, corrimões e portas.

    Causas

    Os estudiosos ainda discutem sobre as possíveis causas dos atos de vandalismo, mas a única conclusão é de que esse tipo de comportamento não está condicionado à situação socioeconômica dos depredadores, pois eles podem ser encontrados em todas as classes sociais.

    De qualquer forma, acredita-se que a educação ainda seja o melhor caminho para transformar vândalos em cidadãos que não destruam o patrimônio que pertence a todos.

    19.3.10

    Jogo - Quebra-cabeça do Brasil


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    Sistema Solar - planetas e características

    O Sistema Solar fica num dos braços da Via-Láctea. Ele é formado pelo Sol a única estrela, e mais de 1.700 corpos celestes menores, entre cometas, asteróides, e os planetas com seus satélites. Pela ordem de distância do Sol os planetas são: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Plutão, que era considerado um planeta, foi "rebaixado" na sua classificação astronômica.

    Os quatro primeiros planetas em ordem de afastamento do Sol são rochosos. Mercúrio, o mais próximo, é o oitavo em tamanho do sistema solar. O seu dia (rotação em torno do próprio eixo) dura 58 dias e 16 horas terrestres e seu ano (translação) possui 87,97 dias terrestres. É o mais veloz dos planetas, recebendo sete vezes mais luz que a Terra.

    Não possui satélite, sua atmosfera é rarefeita, tem um relevo rochoso, cheio de crateras e é muito árido. Sua temperatura pode chegar a mais de 400ºC no lado voltado para o Sol e no seu lado oposto a temperatura pode variar para 180ºC abaixo de zero.

    Embora seja um planeta, Vênus é conhecido como Vésper ou ainda Estrela d'Alva ou Vespertina, pois é visível a olho nu à tarde ou ao amanhecer. O segundo planeta mais próximo do Sol é o sexto em tamanho - quase o mesmo da Terra. Não possui satélite, sua atmosfera é formada principalmente por gás carbônico e ácido sulfúrico, que criam um efeito estufa no planeta. Seu relevo é rochoso e vulcânico. Sua volta ao redor do Sol leva 224,7 dias terrestres. O seu dia, ou uma volta em torno de seu próprio eixo, leva 243,01 dias terrestres.

    O planeta azul e o vermelho

    O terceiro em afastamento do Sol, e quinto maior em tamanho, a Terra é o único que possui água na forma líquida e tem o ar rico em nitrogênio e oxigênio. A combinação desses três elementos gerou vida no planeta. Seu relevo é rochoso, formado por placas que se deslocam em volta do globo em função das altas temperaturas geradas no seu interior.

    As temperaturas da superfície variam de -70ºC a 55ºC. Possui um satélite: a Lua. A duração do seu dia (rotação) é de 23 horas e 56 minutos (aproximadamente 24 horas) a duração do seu ano (translação) é de 365 dias e 6 horas (possui ano bissexto para incorporar as 6 horas que sobram a cada quatro anos).

    Conhecido como o Planeta Vermelho por causa da coloração vermelha-ferrugem, Marte é o quarto do Sistema Solar. Com montanhas, desertos, calotas polares, vulcões, desfiladeiros e atmosfera rarefeita, as temperaturas variam entre -120º.C a 25º.C. Sua translação equivale a 686,98 dias terrestres, e a rotação dura 24 horas e 37 minutos. Possui dois satélites: Fobos e Deimos.

    Em seguida, existem os gigantes gasosos, planetas de atmosfera densa sem superfície rochosa.

    Gigantes gasosos

    Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar. Dentro dele caberiam 11 Terras. Acredita-se que ele represente 70% de toda a matéria que gira em torno do Sol. Sua temperatura é de -150º.C, com ventos de 500 km por hora. Translação de 11 anos e 315 dias terrestres, rotação de 9 horas e 56 minutos. Possui 39 luas ou satélites e três anéis formados por poeira e pedaços de rochas.


    Nasa/Divulgação
    Júpiter, um gigante gasoso


    Saturno é o segundo maior planeta e sexto em afastamento do Sol. Gasoso, é rodeado por 7 anéis e bilhões de outros menores feitos de cristais de gelo e rocha. Foi o primeiro planeta a ser identificado pelos povos antigos. Temperatura de -150ºC e ventos de até 1.500 km por hora. Translação de 29 anos e 6 meses terrestres, rotação de 10 horas e 15 minutos. Possui 23 satélites.

    Já Urano é o sétimo planeta do Sistema Solar, conhecido como planeta verde-azulado devido à composição de sua atmosfera: hidrogênio, hélio e um pouco de metano. Seu eixo é bastante inclinado, o que faz com que seu giro em volta do Sol seja feito de lado (deitado) praticamente horizontal. Sua rotação sobre seu eixo é de 98º em relação aos outros planetas (a inclinação da Terra é de 23º). Sua translação é 84 anos e 4 dias terrestres, e a rotação de 12 horas e 14 minutos. Temperatura aproximadamente de -216ºC. Possui 21 satélites e 10 anéis.

    Cada vez mais longe do Sol

    O último dos gigantes gasosos é Netuno: o oitavo planeta do Sistema Solar é o quarto em tamanho e possui oito satélites naturais e cinco anéis. O planeta é azul: tem atmosfera de hidrogênio, um pouco de hélio e metano. As manchas escuras e nuvens brilhantes são formadas a partir das tempestades e ventos fortíssimos, de até 2.000 km/h. A temperatura é de -214º.C. Sua translação dura aproximadamente 165 anos terrestres e sua rotação é de 16 horas e 7 minutos.

    O rochoso Plutão perdeu sua condição de planeta depois de intensas discussões no encontro da União Astronômica Internacional em agosto de 2006. Mais distante do Sol e até então o menor planeta do Sistema Solar, Plutão possui uma lua chamada Caronte que gira quase colada a ele e que quase o iguala em tamanho.

    A superfície de Plutão é composta de rochas e gelo, parecendo uma bola de neve gigante de metano e água. Temperatura de -220º.C. Sua rotação leva 6 dias e 9 horas terrestres. Sua órbita ao redor do Sol é de 248 anos e 6 meses. Nesse trajeto ele descreve uma elipse longa e estreita, o que o leva a cruzar com a órbita de Netuno. Essas especificidades contribuíram para que ele perdesse a condição de planeta.

    Movimento e magnitude

    A maioria dos planetas e satélites não foi vista ou classificada pelos cientistas. A essa altura, você já sabe que os satélites são corpos celestes de pequeno tamanho que giram em torno de outros corpos maiores e apresentam, geralmente, três movimentos: rotação, revolução e translação.

    A rotação ocorre quando o satélite gira em volta do seu próprio eixo. A Lua leva, aproximadamente 28 dias para fazer seu movimento de rotação e 365 dias e 6 horas para completar sua translação, ou seja, uma volta ao redor do Sol. O movimento de revolução ocorre quando o satélite gira ao redor do seu planeta. A Lua faz esse movimento em 28 dias aproximadamente.

    As estrelas são corpos celestes que têm luz própria. O brilho recebe o nome de "magnitude" e é usado para a classificação. Por exemplo, o Sol é uma estrela de quinta magnitude.

    As constelações e o Zodíaco

    A união de grupos de estrelas foi chamada de constelação pelos povos da Antiguidade. Para eles, cada constelação formava um desenho no céu e 12 delas foram batizadas de acordo com representações de animais ou lendas dessas civilizações, o Zodíaco. Hoje são conhecidas 88 constelações.

    No Brasil e em todo o Hemisfério Sul, podemos observar a constelação do Cruzeiro do Sul, um conjunto de estrelas em forma de cruz, do qual a mais brilhante é a de Magalhães. Usamos o Cruzeiro do Sul como referência para localizar o ponto cardeal Sul. No Hemisfério Norte, a constelação da Ursa Menor, identificada pela estrela Ursa Polar, indica o ponto cardeal Norte.

    18.3.10

    Jogo quebra-cabeça com o mapa mundi

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    Regiões geoeconômicas brasileiras

    A divisão oficial do Brasil em cinco regiões foi criada, em 1969, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mas, antes disso, em 1967, o geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger já havia proposto uma outra divisão regional do país, em três regiões geoeconômicas ou complexos regionais.

    Ela se baseia no processo histórico de formação do território brasileiro, levando em conta, especialmente, os efeitos da industrialização. Dessa forma, ela busca refletir a realidade do país e compreender seus mais profundos contrastes.

    De acordo com Geiger, são três as regiões geoeconômicas: Amazônia, Centro-Sul e Nordeste.

    Essa organização regional favorece a compreensão das relações sociais e políticas do país, pois associa os espaços de acordo com suas semelhanças econômicas, históricas e culturais.

    Modelo contemporâneo

    Diferentemente da divisão proposta pelo IBGE, os complexos regionais não se limitam apenas às fronteiras entre os Estados. Nessa regionalização, o norte de Minas Gerais, por exemplo, encontra-se no Nordeste, enquanto o restante do território mineiro está localizado no Centro-Sul.

    Observe os três complexos no mapa abaixo:



    regiões geoconômicas do Brasil
    1) Amazônia, 2) Centro-Sul, 3) Nordeste


    Essa organização regional é muito útil para a geografia, pois oferece uma nova maneira de entender a história da produção do espaço nacional.

    Região geoeconômica Amazônia

    É a maior das três. Tem aproximadamente 5 milhões de km2, extensão que corresponde a quase 60% do território brasileiro. Compreende todos os Estados da região Norte (com exceção do extremo sul de Tocantins), o oeste do Maranhão e praticamente todo o Mato Grosso.

    Apesar de sua dimensão, possui o menor número de habitantes do país. Em muitos pontos da região acontecem os chamados "vazios demográficos". A maioria da população está localizada nas duas principais capitais do complexo, Manaus e Belém.

    Na economia predominam o extrativismo animal, vegetal e mineral. Destacam-se também o pólo petroquímico da Petrobras e a Zona Franca de Manaus, que fabrica a maior parte dos produtos eletrônicos brasileiros.

    Região geoeconômica Centro-Sul

    Abrange as regiões Sul e Sudeste (exceto o norte de Minas Gerais), Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e o sul de Tocantins. Compreende aproximadamente 2,2 milhões de km2.

    É a região mais dinâmica do ponto de vista econômico. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte são as cidades de maior destaque.

    O Centro-Sul é o principal destino de migrantes de diversos pontos do país e onde se encontra cerca de 70% de toda a população brasileira.

    Possui a economia mais diversificada, baseada na agricultura de exportação e, principalmente, na indústria. É responsável pela produção da maior parte do Produto Interno Bruto nacional.

    Região geoeconômica Nordeste

    Com uma área de aproximadamente 1,5 milhões de quilômetros quadrados, é a segunda do país em população. Inclui todo o Nordeste da divisão oficial (com exceção do oeste do Maranhão) e o norte de Minas Gerais, onde se localiza o Vale do Jequitinhonha.

    Historicamente, é a mais antiga do Brasil. É também a mais pobre das regiões, com números elevados de mortalidade infantil, analfabetismo, fome e subnutrição.

    Assim como acontece em grande parte do território brasileiro, a população nordestina é mal distribuída. Cerca de 60% fica concentrada na faixa litorânea e nas principais capitais. Já no sertão e no interior, os níveis de densidade populacional são baixos, devido, em grande parte, à seca.

    Contudo, possui muitas riquezas históricas e culturais, tanto do ponto de vista arquitetônico, como de costumes e tradições.
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