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27.7.10

Para pensar - Espaço geográfico e movimentos sociais

"A Geografia não pode ignorar os movimentos sociais, tanto os que surgem na cidade (ex: os sem teto), nem no campo . Ambos colocam em cheque, na sociedade capitalista, a existência da propriedade privada da terra, o que revela não haver perversidade - como apontam alguns autores - no processo de reprodução do espaço, mas profundas contradições."

(Adaptado de Ana Fani A. CARLOS, A Geografia brasileira, Hoje: algumas reflexões. Revista TERRA LIVRE. Ano 18, Vol. I, n. 18.São Paulo, Jan-Jun, 2002.)

Pérolas do vestibular

"A História se divide em 4: Antiga, Média, Moderna e Momentânea (esta, a dos nossos dias)."


"A comunicação é de massa porque precisamos utilizar a massa cinzenta para compreendê-la".


"Ditongo é a repetição da música típica mais popular da Argentina."


As principais cidades da América do Norte são Argentina e Estados Unidos. “


"A capital de Portugal é Luiz Boa."



"O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades."


"Na Grécia, a democracia funcionava muito bem, porque os que não estavam de acordo, se envenenavam."


"Oceano é onde nasce o Sol; onde ele nasce é o nascente e onde desce decente."

"Ecologia é o estudo dos ecos, isto é, da ida e vinda dos sons."


"Faço comunicação porque acho importante ser comunicadora, mas não acho importante ler jornal (suja a mão), nem ficar em casa vendo TV. Acho melhor me comunicar entre si."


Resposta à pergunta: "Em quantas partes se divide a cabeça?" Resposta: "Depende da força da cacetada".



"Biologia é o estudo da saúde. E para beneficiar a saúde é que o Dr. Fontoura inventou o biotônico."


"Em Esparta as crianças que nasciam mortas eram sacrificadas."



"Concordância é quando nós estamos de acordo com o que o outro falou."


"A Previdência Social assegura o direito à enfermidade coletiva."


"Sujeito é a pessoa com quem a gente está falando."


"Os estuários e os deltas foram os primeiros habitantes da Mesopotâmia."

"A respiração anaeróbica é a respiração sem ar, que não deve passar de três minutos."


"Péricles foi o principal ditador da democracia grega."

"O fidibeque é a mesma coisa que a retroinformação, ou seja a informação que vem por trás."


"Na América do Norte tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro cimentadas."


"(a questão dizia que a afirmativa era CORRETA, pedia a justificativa somente). "Disconcordo com a questão. Ela não pode ser positiva. Nunca fiz prova que o professor dissesse que era afirmativa uma questão. Deve ser uma pegadinha, tipo do Faustão."

OBS.: Recebido por e-mail

Futebol "deseduca" quando o assunto é geografia

R7 reuniu algumas das principais esquisitices do esporte; leia e tente entender

Vinícius Galante, do R7 publicado em 12/12/2009 às 06h03:

Foi-se o tempo em que era possível aprender geografia conferindo os dados dos países nos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo. Nos dias atuais, o mundo do futebol criou uma nova dinâmica para o mapa mundi seja por razões políticas ou de rearranjo de forças.

Veja abaixo algumas dessas principais esquisitices geográficas:

Austrália na Confederação Asiática de Futebol:

Foto por Lucas Dawson/Getty Images

A Austrália, que fica localizada na Oceania, está filiada à Confederação Asiática de Futebol desde 2006 e classificou-se facilmente para a Copa do Mundo de 2010

Apesar de estar localizada na Oceania, a Austrália faz parte, desde 2006, da Confederação Asiática de Futebol. Era uma antiga reivindicação dos “cangurus”, que apesar de terem a supremacia do esporte em seu continente, não garantiam vaga direta para a Copa do Mundo. Tinham antes que passar por uma repescagem. Na nova geografia, eles se classificaram facilmente para o Mundial de 2010.

Bloco econômico fictício

Entre 1998 e 2001, realizou-se na América do Sul a Copa Mercosul, que colocava em disputa times dos países integrantes à época do Mercado Comum do Sul, bloco econômico que entrou em vigor em 1995 (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Chile).

Mas, curiosamente, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) criou uma outra competição que colocava em ação clubes de outros países do continente e contou também com equipes de México, Estados Unidos e Costa Rica. O nome do torneio era Copa Merconorte, bloco econômico que jamais existiu.

Times mexicanos na Copa Sul-Americana

Com o fim das Copas Mercosul e Merconorte, a Conmebol criou, em 2002, a Copa Sul-Americana. A competição contava com times de todo o continente e também do México, país localizado na América do Norte. Isso se explica pela grande força econômica do país, que atrai anunciantes e cujo público é importante para a Fox, televisão que detém os direitos da competição.

Mineiro de Porto Alegre. Baiano de São Paulo.

As curiosidades geográficas aparecem também no apelido de alguns jogadores. Autor do gol que deu o título mundial de 2005 ao São Paulo, na vitória de 1 a 0 sobre o Liverpool (Inglaterra), Mineiro nasceu em Porto Alegre (RS). A história de seu apelido é longa: quando seu irmão jogava nas categorias de base do Internacional, os colegas achavam-no parecido com Cláudio Mineiro, atleta profissional no clube gaúcho. Quando começou a jogar, ele herdou o apelido.

O atacante Fernando Baiano, ex-Corinthians, e que atualmente joga no Al-Wahda (Emirados Árabes Unidos), nasceu em São Paulo. Nem o próprio jogador sabe ao certo a origem de seu apelido.

Israel na Europa

Apesar de ficar na Ásia, a seleção israelense de futebol faz parte da Uefa (União Européia de futebol) desde 1991. Isso acontece por causa dos conflitos entre o Estado judaico e diversos países árabes por causa dos terrenos palestinos.

Desde que passou a disputar competições com seleções européias, Israel nunca se classificou para uma Copa do Mundo ou para a Eurocopa. Mas os times do país participam sempre de competições do continente. Foi o caso nesta temporada do Maccabi Haifa, que terminou a fase de grupos da Liga dos Campeões sem ganhar ponto.

Japão na Copa América

O Japão, país asiático, participou da Copa América em 1999, quando se preparava para sediar a Copa do Mundo de 2002 juntamente com a Coréia do Sul. A seleção oriental despediu-se da competição ainda na primeira fase, com apenas um ponto ganho em três partidas. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) já oficializou o convite para que o país participe novamente da competição em 2011, na Argentina.

Nordestinos na Copa Norte

Apesar de Maranhão e Piauí pertencerem à região Nordeste, os clubes destes estados participaram da Copa Norte entre 1997 e 2002 e não da Copa Nordeste. O Sampaio Corrêa (Maranhão) foi campeão da competição em 2000.

Fonte: Portal R7

20.7.10

Kosovo - Independência enfrenta desafios

O mapa-múndi foi modificado novamente a 17 de fevereiro de 2008, com a declaração unilateral da independência de Kosovo, um dos últimos territórios da antiga Iugoslávia a manter-se dependente da Sérvia.

Antes do aparente sucesso dessa independência, houve, ao longo da história, outras tentativas de tornar Kosovo um Estado independente, livre e soberano. Em 1968, a população albanesa de Kosovo realizou uma das primeiras demonstrações pró-independência da província, sendo que as intenções do movimento separatista foram abafadas com a prisão de muitos dos manifestantes pelas forças iugoslavas.

Em 1974, Kosovo tornou-se província autônoma da Sérvia. Com o início do desmembramento da Iugoslávia, em 1991 - nesse período começaram as declarações de independência da Croácia, Eslovênia, Macedônia e, mais tarde, da Bósnia -, os separatistas albaneses declararam outra tentativa frustrada de independência.

A tensão entre separatistas e o governo central da Iugoslávia, liderada pelo presidente nacionalista Slobodan Milosevic, defensor da unificação dos territórios, aumentou em torno de 1998, desencadeando a Guerra do Kosovo.

A Guerra do Kosovo
As intervenções de Milosevic na província começaram em 1998, num esforço para derrubar o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), criado em 1996, que tinha iniciado uma série de ataques a alvos sérvios. A situação se intensificou em 24 de março de 1999, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) iniciou os bombardeios em Belgrado e em outras regiões da Sérvia e de Kosovo, numa tentativa de encerrar o conflito.

Ao mesmo tempo, as forças de Milosevic iniciaram uma campanha de limpeza étnica contra os albaneses. Ao todo, cerca de 18.000 pessoas morreram no conflito, enquanto cerca de 1 milhão de albaneses se refugiou nos países vizinhos. Os bombardeios da OTAN, que duraram quase três meses, aliados à pressão da ONU (Organização das Nações Unidas), forçaram Milosevic a recolher suas tropas.

Com o fim do conflito, o Conselho de Segurança da ONU suspendeu o controle de Belgrado sobre Kosovo, que ficou sob administração da própria ONU, enquanto a segurança passou a ser responsabilidade da OTAN. Dessa forma, Kosovo começou a desenvolver suas próprias instituições democráticas, conquistando eleições livres para presidente e primeiro-ministro.

Em abril de 2007, o enviado especial da ONU, o ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari, apresentou o plano que oferecia a Kosovo uma "independência supervisionada". Segundo o plano, agências internacionais levariam gradualmente Kosovo à independência completa e à entrada na ONU. Isso evitaria que Kosovo se anexasse à Albânia ou tivesse suas regiões de predominância sérvia separadas para se tornarem parte da Sérvia.

Independência de Kosovo
A 17 de fevereiro de 2008, o primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaçi, convocou e realizou uma sessão extraordinária do parlamento, onde os 109 deputados presentes votaram a favor da independência da província, entre aplausos. Enquanto isso, nas ruas da capital, milhares de albaneses, etnia que corresponde a 90% da população, celebravam a decisão que podia colocar um fim em mais de uma década de conflitos que culminaram em centenas de milhares de mortos na Guerra do Kosovo.

Hashim Thaçi solicitou também o envio de uma missão internacional, liderada pela União Européia, para substituir a missão da ONU que administrava a província desde 1999.

A independência desencadeou uma série de reações contrárias - e algumas a favor - na comunidade internacional. Imediatamente após o fim da sessão no parlamento kosovar, países como Sérvia, Rússia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro, China, Espanha, Chipre, Grécia, Eslováquia e Romênia rejeitaram a declaração.

O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, chamou Kosovo de "falso estado", enquanto o então presidente russo Vladimir Putin classificou a declaração de independência como "imoral e ilegal", pois reacenderia os conflitos na região dos Bálcãs.

Além disso, o discurso antisseparatista de Putin foi engrossado pelo então Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Segundo o ministro, seria a primeira vez que ocorreria a separação de uma região de dentro de um Estado soberano, o que, de acordo com ele, poderia acirrar conflitos semelhantes em outras 200 regiões em todo mundo.

Um dia depois da declaração, os Estados Unidos reconheceram a independência de Kosovo, assim como Austrália, Albânia, Afeganistão e Turquia. Os EUA eram um dos principais defensores da independência do país, e apoiavam o plano do emissário da ONU. Condoleezza Rice, então secretária de Estado americana, afirmou que os EUA e Kosovo iriam firmar relações diplomáticas e "fortalecer os laços de amizade".

França, Reino Unido, Alemanha e Itália também assumiram essa posição, logo após uma reunião da União Europeia, que, em decorrência da "particularidade da situação", deixou a cargo de cada país decidir como iria se posicionar.

Além da resposta dos países, houve uma reação contrária por parte da minoria sérvia da população kosovar, cerca de 5% da população (estima-se que 120 mil pessoas façam parte dessa minoria). Os sérvios são predominantes no norte do território de Kosovo, na região do rio Ibar. Havia o risco de eles responderem a uma declaração de independência proclamando sua própria autonomia, erguendo barricadas nas principais estradas e criando verdadeiras fronteiras.

Poucos dias após o ato de independência dos kosovares albaneses, em Belgrado, capital da Sérvia, mais de 5.000 pessoas protestaram, dando continuidade às manifestações, às vezes violentas, durante vários dias. Protestos também aconteceram em Kosovo, nas localidades onde os sérvios são maioria.

Em Kosovska Mitrovica, cidade dividida ao norte do território, os manifestantes gritavam que "o Kosovo é a Sérvia para sempre". No dia 19 de fevereiro de 2008, centenas de manifestantes sérvios destruíram postos de controle da ONU instalados na fronteira de Kosovo. No dia 21, a embaixada dos Estados Unidos em Belgrado foi incendiada.

De acordo com um dos líderes sérvio-kosovares, Olivier Ivanovic, "os sérvios do norte do Kosovo não vão reconhecer a independência, não vão reconhecer a nova administração e vão continuar se considerando parte da Sérvia". Vuk Jeremic, ministro sérvio das Relações Exteriores, advertiu que "a arrasadora maioria dos sérvios do Kosovo optarão por se dissociar da decisão da independência".

Apesar do "plano Ahtisaari" de "vigilância internacional" estabelecer uma estrita proteção para os mais de 100 mil sérvios que vivem no Kosovo, isso não foi suficiente para pôr fim ao desejo de eles seguirem como território sérvio. A missão da ONU, que depois foi substituída pela missão da União Europeia, conseguiu, mesmo assim, impor sua administração no norte, onde Belgrado instalou instituições paralelas: justiça, educação e saúde.

Dessa forma, parece que as autoridades sérvias tinham em mente há tempos uma eventual divisão da província, apesar de nunca terem proposto isso de forma oficial. "Toda a infraestrutura do norte, a eletricidade, a água, o abastecimento, a telefonia etc., está pronta para se conectar à Sérvia", comentou um jornalista sérvio-kosovar.

A dura posição dos sérvios estava simbolizada no norte por inúmeros retratos do então presidente russo Vladimir Putin, visíveis nas ruas. Isso demonstra o quanto Moscou apoia Belgrado em todos os seus esforços para impedir a independência da província.

Alguns temem contínuos atos de violência. "Haverá tiros se os albaneses tentarem exercer o poder no norte, franco-atiradores emboscando as duas partes. Mitrovica parecerá Beirute durante anos", afirma o dirigente sérvio Olivier Ivanovic. Já o analista político Dugolli, diz que teme que haja um segundo Chipre no Kosovo. Para ele, "todo mundo reconhecerá a independência de Kosovo, mas no terreno teremos uma divisão que só será reconhecida por um país, como acontece em Chipre".

Consciente do risco, a OTAN, que mobilizou desde o final da guerra cerca de 17 mil homens no Kosovo, acabou reforçando seus efetivos com mais de 500 soldados italianos, que se somaram a 7 mil policiais locais e um contingente de 1.500 oficiais da polícia da ONU.

A declaração de independência de Kosovo, portanto, ainda é uma questão em aberto, que pode se desdobrar em acontecimentos nada pacíficos.

A dificuldade de ser independente
Nas comemorações do aniversário da independência, a 17 de fevereiro de 2009, nenhuma atmosfera festiva provocava emoção em Pristina, capital do Kosovo. A euforia havia acabado. Kosovo comemorou o primeiro aniversário de sua independência sem demonstrar satisfação, pois somente 54 membros da ONU reconheceram o novo país.

Na própria União Europeia, cinco dos 27 países membros - Espanha, Chipre, Grécia, Romênia, Eslováquia - continuam a não tratar Kosovo como Estado soberano.

Segundo o primeiro-ministro Hashim Thaçi, "a proclamação da independência não resolve todos os problemas, mas abre possibilidades". Há ainda um intenso trabalho diplomático no sentido de tornar Kosovo membro da União Europeia e da OTAN. Para Thaçi, Kosovo conseguiu construir uma sociedade democrática multiétnica, com direitos garantidos para os sérvios, desmentindo as previsões mais sombrias, que especulavam que, em 2008, Kosovo seria marcado por crises de violência étnica entre kosovares e sérvios.

Após a independência, uma força armada e um serviço de informação foram criados. Mas, apesar desses atributos de soberania, Kosovo continua sendo um pequeno corpo sem outro recurso além do garantido pela ajuda internacional.

Separado da Sérvia ao fim de um processo desacreditado por Belgrado, que se recusa a considerar a independência definitiva, Kosovo quer acreditar em seu futuro europeu, mas é difícil dizer quem realmente governa esse país de cerca de 2 milhões de habitantes, pois a sobreposição de responsabilidades entre governo e organizações internacionais causa dor de cabeça nos especialistas.

"Kosovo é um monstro administrativo, não sabemos onde está o poder real", resume o opositor Blerim Shala, da Aliança para o Futuro de Kosovo. Já o chefe da missão da ONU em Kosovo, Lamberto Zannier, diz que "devido a uma transição inacabada, todo mundo está emperrado aqui. Existe, portanto, uma presença [estrangeira] excessiva, mas, infelizmente, inevitável".

O poder kosovar se depara ainda com diversos desafios a serem superados: entre os principais, o do desenvolvimento econômico e o da autoridade nas zonas de povoamento sérvio, pois, para a Sérvia, Kosovo ainda não é uma história encerrada.

Poucos investidores estrangeiros se arriscam a colocar dinheiro em Kosovo, uma das regiões mais miseráveis da Europa, e parte da infraestrutura que a região tem é "emprestada" de fora, como a rede de celular e de eletricidade. O desemprego beira os 50% e não há indústrias. Nem passaportes Kosovo emite, pois é administrado pela ONU.

O novo país é majoritariamente muçulmano, mas com uma fervorosa adoração ao Ocidente, razão pela qual os kosovares esperam que a independência abra caminho para que o dinheiro chegue. Nada indica, porém, que será um futuro tranquilo.

15.7.10

As bússolas estão ficando desreguladas


Pólo Norte magnético desloca-se a grande velocidade para pólo Norte geográfico

Usar corretamente uma bússola exige uma série de conhecimentos básicos, que vão desde conhecer os pontos cardeais até à declinação magnética do local em que o observador está. O problema é que o pólo magnético da Terra não é um local fixo e à medida que o tempo passa vai-se movimentando, fazendo com que os mapas tenham constantemente de ser atualizados.

A Terra sofre variações magnéticas e, desde há muito tempo, sabemos que o nosso planeta possui dois pólos fixos – Norte e Sul –, mas um grupo de físicos e navegadores diz que não é bem assim. Se por um lado, os pólos geográficos que marcam o eixo de rotação da Terra não se movam, os pólos magnéticos estão em constante movimento, acompanhando as transformações e fenômenos tectônicos que se processam nas entranhas do planeta.

No coração da Terra há grandes movimentos que vão modificando o funcionamento do dínamo, onde nasce o campo magnético terrestre. Por ocasião de um congresso anual da União Americana de Geofísica (AGU), uma equipe de cientistas e pesquisadores atualizaram os últimos cálculos: o pólo Norte magnético desloca-se a grande velocidade – 55 quilômetros por ano – e aproxima-se cada vez mais do pólo Norte geográfico.

A partir de 2007, o pólo Norte magnético encontrava-se a 550 quilômetros do pólo Norte geográfico (com uma latitude de 83.95°N e uma longitude de 121.02°O), segundo dados de pesquisadores e cientistas franco-canadenses. Estudos anteriores verificaram um movimento de menos de dez quilômetros por ano até 1980. Anos mais tarde, este acelerou e estabeleceu-se nos 55 km/ano. Com este ritmo, poderá atingir a costa siberiana em 2040, segundo o Instituto Polar, na Inglaterra.

Arnaud Chulliat, pesquisador do Instituto de Física do Globo, em Paris, explica que “os modelos sugerem que existe uma região de magnetismo em rápida transformação na superfície do núcleo terrestre, possivelmente criada por um misterioso manto de magnetismo proveniente do interior do núcleo”.

Hoje, o espaço entre ambos os pólos e a inclinação magnética têm um papel menos importante do que em anos anteriores para os transportes marítimos e aéreos. O Sistema de Posicionamento Global (GPS) fornece localizações precisas, com a transmissão por satélite, independentemente do campo magnético terrestre.

Contudo, ainda nos dias que correm, o Serviço Hidrográfico da Marinha Francesa faz questão de manter mapas marítimos em dia e estão sempre informados sobre as variações do campo magnético terrestre, porque esses mapas usam um sistema de meridianos onde cruzam os pólos geográficos, mas os magnéticos não estão no centro desses pólos.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=39010&op=all#cont

12.7.10

Consequências do vazamento de petróleo no Golfo do México

A mancha negra que se estende sobre o Oceano Atlântico, numa área equivalente a onze vezes a cidade do Rio de Janeiro, é a imagem da maior catástrofe ambiental da história dos Estados Unidos. O vazamento de petróleo cru e de gás no Golfo do México causou, além de danos ao meio ambiente, perdas econômicas e políticas para o governo de Barack Obama. E como todas as tentativas de conter o vazamento falharam, a mancha deve se alastrar por mais um mês, agravando a situação.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O acidente também obrigou o governo norte-americano a revisar as políticas de energia e a regulamentação do setor petrolífero que explora o óleo mineral em águas profundas. É uma discussão que também interessa ao Brasil, que deve definir em breve as regras de exploração do petróleo na camada pré-sal.

Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 funcionários. Dois dias depois, a plataforma afundou a aproximadamente 80 quilômetros da costa da Louisiana, sul dos Estados Unidos. O petróleo começou a vazar da tubulação rompida a 1,5 quilômetro da superfície do mar, formando uma enorme mancha que se aproxima do litoral americano. Desde então, o óleo vem prejudicando a fauna marinha, o turismo e a pesca na região.

Pela sua extensão, este foi considerado o pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos. Estimativas iniciais do governo e da empresa BP apontavam o derramamento de 5 mil barris de petróleo cru por dia, o equivalente a 800 mil litros. No dia 27 de maio, porém, devido ao alerta de cientistas, foi verificado um volume muito maior: de 12 a 25 mil barris diários.

A quantidade acumulada é quase três vezes maior que o vazamento do navio petroleiro Exxon Valdez, ocorrido no Alasca em 24 de março de 1989, até então considerado o mais grave em águas norte-americanas. Na ocasião, foram espalhados 250 mil barris (40,9 milhões de litros) de petróleo cru no mar, provocando a morte de milhares de animais. Tudo indica que, desta vez, a catástrofe será maior para o ecossistema.

Pelicanos
O Departamento de Pesca dos Estados Unidos emitiu um boletim alertando para os danos causados a animais marinhos do Golfo, tanto pelo petróleo quanto por produtos tóxicos usados na limpeza. Segundo o documento, os componentes químicos causam irritações, queimaduras e infecções na pele. A ingestão pode trazer problemas ao aparelho gastrointestinal, danificar órgãos e, a longo prazo, levar à morte.

Entre os animais em risco está a ave-símbolo do Estado de Louisiana, o pelicano marrom. O santuário da espécie - a ave só recentemente saiu da lista de animais ameaçados de extinção - foi atingido pelo petróleo. Toda vez que o pelicano marrom mergulha atrás de peixes, ele fica com as penas cobertas de óleo; desse modo, não consegue regular a temperatura corporal e morre de hipotermia.

Quatro espécies de tartarugas marinhas, além de golfinhos, cachalotes, camarões e outros crustáceos e peixes (o Golfo do México é um dos únicos viveiros, no mundo, do atum rabilho) estão entre as espécies ameaçadas. O plâncton, inclusive, organismo que está na base da cadeia alimentar marinha, não sobrevive em contato com o petróleo.

A mancha de petróleo colocou em alerta toda área costeira de Louisiana e das regiões vizinhas da Flórida, do Mississipi e de Alabama. O acidente também afetou a indústria pesqueira, os serviços, o comércio e até o turismo, uma vez que as praias ficaram sujas de óleo. A pesca comercial e recreativa foi proibida. O motivo, segundo o governo, é proteger a população do consumo de moluscos contaminados com componentes cancerígenos do petróleo.

Criadores de camarão tiveram a atividade suspensa e abriram processos judiciais contra a BP. A Louisiana é o maior Estado produtor de camarões nos Estados Unidos.

Somados, os prejuízos para a economia podem chegar a mais de US$ 1,6 bilhão (R$ 2,9 bi), de acordo com especialistas. O Estado de Louisiana ainda gastou cerca de US$ 350 milhões (R$ 638,9 milhões) em barreiras de contenção.

Há 31 anos, o ecossistema do Golfo do México foi afetado por um acidente semelhante. Em 3 de junho de 1979, a plataforma Ixtoc I explodiu na baía de Campeche, a 100 quilômetros da costa mexicana. Foram derramados entre 10 e 30 mil barris de petróleo por dia, até que a tubulação foi tampada em 23 de março 1980. Traços de petróleo ainda eram visíveis três anos depois da tragédia.

Exploração
Todas as tentativas da BP para conter o vazamento falharam: a empresa tentou injetar uma mistura de lama e cimento na tubulação, colocar uma capa de proteção, sugar o petróleo com mangueiras e cavar poços ao lado da plataforma submersa. Na mais recente tentativa, iniciada no dia 1º de junho, a ideia era usar robôs submarinos para instalar um equipamento que pode redirecionar o fluxo para a superfície, onde o petróleo será recolhido em navio.

Enquanto isso, por conta do acidente, o presidente Barack Obama amarga, além da queda de popularidade, uma crise política. Ele foi acusado pela oposição republicana de demorar muito para resolver o caso e de mau gerenciamento nos esforços de contenção da mancha. A situação do presidente foi comparada à de seu antecessor, George W. Bush, criticado pela lentidão no socorro às vítimas do furacão Katrina, que devastou New Orleans (na mesma região) em 2005.

Em maio de 2010, pressionada pelos republicanos e contrariando ativistas ambientais, a Casa Branca deu passe livre para que as multinacionais petrolíferas ampliassem a exploração em águas profundas. Agora, Obama foi obrigado a admitir o excesso de confiança na autorregulamentação das empresas e adotar medidas de cancelamento da prospecção de petróleo no Golfo do México, além de prorrogar a moratória (suspensão de verbas) para a exploração na costa do Atlântico.

Como resultado do desastre em Louisiana, os Estados Unidos devem apertar o cerco às agências reguladoras do setor e obrigar a indústria a investir em mais segurança. Assim, o custo de extração e produção de petróleo deverá sofrer aumentos, podendo afetar também os investimentos na camada pré-sal, no Brasil, e reorientar as metas de segurança da Petrobras.

Por fim, o acidente na costa dos Estados Unidos dá novo fôlego ao debate sobre energias alternativas. O petróleo, que hoje é a principal fonte de energia do mundo, é escasso, cada vez mais caro, cria políticas de guerra (como no Oriente Médio) e danos ao meio ambiente. Os Estados Unidos respondem por apenas 2% das reservas do planeta e a produção interna atende a um quinto do consumo doméstico. Para o gigante econômico, a solução se delineia, cada vez mais, num futuro em que o desenvolvimento do país seja menos movido pelo "ouro negro".

Fonte: Uol Educação

11.7.10

Importância da autoestima


Todos acompanhamos nas últimas semanas a desclassificação da seleção brasileira de futebol na copa do mundo.

Sem querer entrar no mérito técnico "futebolístico" onde o treinador Dunga resolveu ir de encontro a toda população, imprensa e analistas esportivos a fim de levar a sua seleção, digo sua pois ela não era a seleção brasileira (da maioria dos brasileiros).

A seleção do Dunga já foi para a África do Sul influenciada, criticada por toda a imprensa mundial, o que a meu ver já causou uma baixa autoestima ao grupo que lá estava para nos representar, muitas palavras negativas e de repulsa ao time escolhido.

O lance que originou o primeiro gol da Holanda, por ter sido um "gol bobo" como se fala na gíria do futebol desestabilizou ainda mais aqueles que já estavam com a autoestima baixíssima, o que fez com que todos se perdessem em campo e não tivessem o poder de reação, acabando o mundial de forma vergonhosa para a nossa seleção já que se espera bem mais de um país que é o número 1 do ranking mundial.

Eu citei o exemplo da selação para refletirmos sobre a importância da autoestima em nossa vida e na vida daqueles que instruimos.

Ora, podemos através de palavras negativas e de desprezo diminuir a autoestima de alguém e ao mesmo tempo através de palavras positivas aumentá-la e ajudar bastante que esta pessoa consiga vencer os obstáculos da vida. Para isso precisamos mostrar que acreditamos no potencial das pessoas, que não as vemos como derrotados mas como lutadores e que possuem grande potencial para vencer naquilo que fazem.

E quanto a nós? É fundamental acreditarmos em nosso potencial ainda que muitos tragam palavras de derrota ou de desânimo.

Me lembro muito bem que tinha o desejo de estudar e me formar em uma faculdade, como estudante de escola pública era desacreditado por muitos, porém no ensino médio alguns docentes me incentivaram e disseram:

- Vai que você tem potencial!

Isso ajuda, aumenta a autoestima e torna gatos verdadeiros leões.

E você, como tem agido com seus alunos, filhos, familiares, amigos, etc.?

Você é um estimulador ou desestimulador?

Luciano Costa

10.7.10

EUA e Rússia realizam maior troca de espiões pós-Guerra Fria

Os Estados Unidos e a Rússia concluíram nesta sexta-feira no aeroporto de Viena, na Áustria, a maior troca de espiões já realizada após a Guerra Fria.

Um avião fretado pelo governo dos Estados Unidos pousou pela manhã no aeroporto trazendo a bordo as dez pessoas que admitiram ser espiões "de um governo estrangeiro".

Um outro avião trouxe quatro espiões condenados na Rússia e que receberam um perdão do presidente, Dimitri Medvedev.

Os aviões, um Boeing 767-200 da empresa Vision Airlines e um modelo russo Yakolev Yak-42, estacionaram lado a lado no aeroporto.

Imagens de televisão mostraram escadas de avião cobertas sendo levadas aos aviões - mas não foi possível ver os espiões sendo transferidos.

As aeronaves decolaram em seguida. Não se sabe o destino que os aviões tomaram.

Entretanto, um representante do governo russo disse à agência France-Press que os agentes deportados dos Estados Unidos eram aguardados em Moscou nesta sexta-feira.

O ministério do Exterior russo confirmou a troca, dizendo que ela representava "o retorno à Rússia de 10 cidadãos russos acusados nos Estados Unidos, juntamente com a transferência simultânea para os Estados Unidos de quatro indivíduos previamente condenados na Rússia".

Identidades

Os dez agentes russos acusados nos Estados Unidos confessaram ter agido como "agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos" em uma corte de Nova York.

O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes condenados na Rússia :

Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003 Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB EUA

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos - entre elas a de lavagem de dinheiro - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões.

Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

"Richard Murphy" e "Cynthia Murphy" admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev "Donald Howard Heathfield" e "Tracey Lee Ann Foley" eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova "Juan Lazaro" admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov "Michael Zottoli" e "Patricia Mills" admitiram ser os cidadãos russos Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa.

Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

Espiões

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

O Departamento de Estado americano afirmou que "a rede de agentes ilegais" foi desmantelada após "anos de investigação", mas que "nenhum benefício significativo para a segurança nacional" dos EUA "seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes".

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões "humanitárias e de segurança nacional".

"Os Estados Unidos tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins", diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

Prisioneiros

Um dos prisioneiros libertados pela Rússia devido à troca com os EUA, o cientista nuclear Igor Sutyagin, estava em uma prisão próxima ao Círculo Polar Ártico, mas que foi recentemente transferido para Moscou.

Ele foi preso em 2004, acusado de ser um agente da CIA, o serviço de inteligência dos EUA.

Em entrevista à BBC, o irmão de Sutyagin, Dmitry, afirmou que ele teria sido avisado pelas autoridades russas de que seria trocado como parte do acordo, e que autoridades americanas estariam presentes neste momento.

Fonte: BBC Brasil

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A espionagem se tornou famosa durante a guerra fria, onde agentes das potências do mundo bipolar se infiltravam no território inimigo a fim de obter informações sobre o desenvolvimento de novos armamentos e tecnologias no que chamamos de corrida armamentista e tecnológica, a espionagem chegou até mesmo nas telas dos cinemas, quem não se lembra dos famosos filmes 007?

Saiba mais sobre o assunto:

http://www.lucianogeo.com/2009/03/briga-de-cachorro-grande-eua-x-russia.html

Luciano Costa

2.7.10

Precisamos voltar a evoluir.


Segundo a teoria científica mais aceita, conhecida como Big Bang, a Terra se originou de uma grande explosão ocorrida a pelo menos 15 bilhões de anos na qual até hoje os fragmentos circulam no espaço (meteóros). Desta explosão formaram-se as galáxias e as estrelas, incluindo o nosso Sistema Solar.

Os primeiros sinais de vida no planeta, as bactérias, surgiram muito tempo depois, cerca de 3 bilhões de anos, com o planeta em constante proceso de transformação para a atual estrutura que conhecemos devido a presença da água nos três estados, da atmosfera e outros fatores que provocaram a constante solidificação da crosta.

A espécie humana demorou ainda mais a aparecer. o homo sapiens, que seria o ancestral mais próximo dos seres humanos surgiu a cerca de 40 mil anos atrás, quase nada se comparado à origem da vida na Terra.

Várias espécies de plantas e animais sofreram sucessivas transformações. Entre elas, o próprio ser humano, que veio evoluindo não somente em suas características físicas, mas também em seu poder de transformar a natureza.

Dotado dessa capacidade transformadora, ao longo de sua trajetória, o ser humano fez grandes descobertas, entre elas, o fogo, a roda e a agricultura, que lhe garantiram melhores condições de vida.

No entanto, há apenas 150 anos, o homem transformou ainda mais o seu modo de vida, com repercussões até o dia de hoje. Em meados do século XVIII, na Inglaterra, começou um período de grandes inventos e máquinas, chamado de Revolução Industrial, que marcou justamente a fase da indústria, da produção em série e do estímulo ao consumo.

Foram muitas décadas de produção, sem muita preocupação coma natureza. Mas os primeiros desastres ambientais e o agravamento de conflitos entre os povos serviram de alerta para a humanidade.

Precisamos urgentemente retomar o caminho da evolução!

Luciano Costa

18.6.10

Internacionalização da Amazônia


Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!


Fonte: recebido por e-mail
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